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Eleições 2026: o resultado da urna muda o juro da sua dívida?

Publicado em · Bolso do Juca

O resultado da eleição não muda o juro da sua fatura na segunda-feira. Quem decide a Selic, o juro básico do país, é o Copom, um comitê do Banco Central com calendário definido antes da campanha. E mesmo quando a Selic cai, o juro do cartão e do cheque especial continua muito acima dela. O que muda a sua dívida é olhar a conta: listar o que deve, começar pela mais cara e separar uma reserva pequena.

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O resultado da eleição muda o juro da dívida?

Não de uma semana para outra. O vídeo segue dois vizinhos ilustrativos, Arnaldo e Marlene, que passam um mês discutindo política por cima do muro. Os dois dizem a mesma frase: "Se o meu ganhar, o juro cai em janeiro." Enquanto isso, ele paga o mínimo da fatura do cartão e ela entra no cheque especial todo mês. Ninguém abre o aplicativo do banco por quatro semanas, e a fatura continua contando juro.

Na segunda depois do segundo turno, os dois abrem o envelope do banco e encontram a mesma coisa: juro nos dois papéis e o vencimento de sempre. Para essa conta, não importa qual lado ganhou.

Quem decide a Selic?

O Copom, um comitê do Banco Central. Ele se reúne oito vezes por ano, com datas marcadas desde o ano anterior. A próxima reunião é em 3 e 4 de novembro.

Uma lei de 2021 deu autonomia ao Banco Central. O presidente do banco tem mandato de quatro anos, que começa no terceiro ano do mandato do presidente da República. O objetivo principal da lei é a estabilidade de preços.

Por que o juro do cartão quase não caiu?

Porque ele não acompanha a Selic na mesma proporção. De agosto de 2025 a agosto de 2026, a Selic caiu de 15% para 14% ao ano, e hoje está em 13,75%. No mesmo período, o juro médio do rotativo do cartão foi de perto de 454% para quase 445% ao ano, segundo o dado de agosto, o mais recente quando o vídeo foi feito.

O juro básico desceu um ponto. O juro de quem paga o mínimo da fatura continuou lá em cima.

Inflação caindo quer dizer preço mais baixo?

Não. Inflação caindo quer dizer que os preços continuam subindo, só que mais devagar. Para os preços voltarem ao que eram, seria preciso deflação, com os preços baixando no total. Um item ou outro até fica mais barato, como o arroz da Marlene, mas a lista inteira não.

Em 12 meses até setembro, a comida para fazer em casa subiu 4,21%, segundo o IBGE, e a inflação geral subiu 4,58%. Na prática, um carrinho que custava R$ 100 um ano atrás hoje sai por uns R$ 104. É um exemplo.

Quantas famílias estão endividadas?

Em setembro, 81,7% das famílias tinham dívida e 29,6% tinham conta em atraso, segundo a Confederação Nacional do Comércio. No exemplo do vídeo, Arnaldo deve uns R$ 1.200 no cartão e Marlene uns R$ 400 no cheque especial. São valores de exemplo, e nenhum dos dois sabe dizer quanto disso já é juro.

Como organizar as dívidas depois da eleição?

Comece pela fila. A Marlene escreve as dívidas numa folha, a mais cara em cima e a mais barata embaixo. No topo vai o cheque especial, perto de 136% ao ano na média de agosto do Banco Central. Existe um teto do Conselho Monetário Nacional, de 8% ao mês, mas mesmo abaixo dele é caro. A fila mostra o que ela não queria ver: todo mês, o cheque especial pagava a parcela da geladeira. A dívida mais cara pagava a mais barata.

O passo seguinte é trocar a dívida mais cara por uma mais barata. As médias de agosto dão a ideia: cheque especial perto de 136% ao ano, crédito pessoal não consignado perto de 110% e consignado perto de 29%.

O consignado não serve para a Marlene, que é autônoma e não tem salário nem benefício para descontar. Ela liga para o banco, pede uma proposta e anota a taxa ao lado da do cheque especial. Se a taxa for menor e a parcela couber, a dívida cresce mais devagar. Pode não resolver tudo de uma vez.

A outra metade é uma reserva pequena: R$ 20 por semana, de exemplo, separados no dia em que as clientes pagam. Esse dinheiro fica fora da dívida e serve para chegar no próximo aperto sem usar o cheque especial. Quando a acetona e o algodão acabam, ela paga à vista com o envelope da semana.

Para quem tem dívida no cartão, vale saber que, desde 2024, o juro e os encargos do rotativo não podem passar do valor original da dívida, e dá para pedir renegociação a qualquer momento. Este conteúdo não é recomendação financeira.

Perguntas frequentes

Quem decide a Selic?

O Copom, um comitê do Banco Central. Ele se reúne oito vezes por ano, com datas marcadas desde o ano anterior. A próxima reunião é em 3 e 4 de novembro.

Se a Selic cai, o juro do cartão cai junto?

Não na mesma medida. De agosto de 2025 a agosto de 2026, a Selic caiu de 15% para 14% ao ano, e o juro médio do rotativo do cartão foi de perto de 454% para quase 445% ao ano.

Inflação caindo quer dizer que os preços vão voltar ao que eram?

Não. Inflação caindo quer dizer que os preços sobem mais devagar. Para os preços baixarem no total seria preciso deflação.

O juro do rotativo do cartão tem limite?

Sim. Desde 2024, o juro e os encargos do rotativo não podem passar do valor original da dívida. E dá para pedir renegociação a qualquer momento.

Por qual dívida eu começo?

Pela mais cara. Escreva as dívidas em fila, da maior taxa para a menor, e veja se existe uma opção com taxa menor e parcela que caiba no seu orçamento.

Comece pela sua folha

No domingo você vota. A sua conta você pode olhar toda segunda, com papel e caneta, do jeito que der. Escreva a dívida mais cara no topo, o que entra e o que sai embaixo, e uma meta de reserva pequena. Se preferir, o App do Juca é um lugar feito para anotar gastos, o aluguel e as suas metas.